Sustentabilidade na arquitetura vai muito além da escolha de materiais e produtos
Sustentabilidade na arquitetura vai muito além da escolha de materiais e produtos
Quando falamos em arquitetura sustentável, é comum pensar primeiro em placas solares, sistemas tecnológicos, madeira certificada ou algum material vendido como “ecológico”. Todos esses recursos podem ter seu valor, mas a sustentabilidade de uma edificação começa muito antes da especificação de produtos. Ela começa no projeto, na implantação da construção no terreno e na capacidade de compreender o clima, o sol, os ventos, a vegetação existente e a forma como aquele o espaço será utilizado.

A arquitetura bioclimática trabalha justamente com essas condições. A orientação da edificação, o tamanho e a posição das aberturas, a composição das fachadas e volumetrias, a ventilação cruzada, a iluminação natural, o telhado, a vegetação e até a distribuição dos ambientes interferem diretamente no conforto térmico e no consumo de energia como um todo. Em Goiânia e no clima do Cerrado, por exemplo, onde calor e incidência solar são questões importantes durante boa parte do ano, projetar sombra e ventilação desde o início pode ser muito mais eficiente do que tentar “maquiar” um projeto com produtos que prometem um título sustentável.
Também acreditamos que uma solução sustentável precisa ser possível de construir e de manter. Não faz muito sentido especificar um material de “baixo impacto ambiental” que precisa atravessar o país, depende de mão de obra inexistente na região, custa várias vezes mais do que as alternativas disponíveis ou exige substituições e manutenções constantes. Sustentabilidade também envolve vida útil, simplicidade construtiva, facilidade de reparo e custo ao longo dos anos.
Isso não significa abandonar a pesquisa por materiais menos convencionais. Tijolos de solo-cimento, materiais reaproveitados ou técnicas construtivas podem trazer resultados muito interessantes, desde que façam sentido naquele projeto. A escolha precisa considerar disponibilidade, procedência, desempenho térmico e acústico, durabilidade, mão de obra e manutenção, além da relação estética e emocional que aquele material terá com quem vai habitar o espaço. Um material não é sustentável apenas pelo nome ou pela aparência.
Uma arquitetura sustentável também precisa ser capaz de atravessar o tempo. Uma casa que envelhece bem, aceita adaptações, utiliza soluções reparáveis e continua oferecendo conforto muitos anos depois de construída preserva recursos e também o investimento de quem a construiu. Alguns materiais ganham textura, a vegetação cresce, os espaços são apropriados e a relação dos moradores com a casa se fortalece. Em vez de exigir atualizações constantes para continuar parecendo nova, a arquitetura pode adquirir valor e identidade à medida que o tempo passa.
Por isso, para nós, sustentabilidade não é um produto que se acrescenta ao projeto. É uma forma de projetar. Está em aproveitar o que o terreno e o clima oferecem, reduzir desperdícios, escolher soluções que possam ser executadas e mantidas, pesquisar materiais coerentes com cada realidade e criar espaços que proporcionem conforto e bem-estar por muito tempo.



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